Era uma vez dois irmãos e eles se amavam como irmãos.Era uma vez dois amigos e eles também se amavam como amigos.Era uma vez dois seres humanos, eles se amavam como seres humanos.
Eram duas pessoas que amavam demais a vida, a diversão e a felicidade.Um mais esperto que o outro, o outro mais inteligente que o um, e vice-versa.Eles eram pequenos na idade, grandes nas idéias, gigantes juntos, sozinhos de medo. Quando o um se juntava a outros parentes, o outro irmão ficava sem entender, desnorteado, porque é nos irmãos que nos inspiramos: quem sou eu quando não tenho meu irmão por perto?
E às vezes se amar como irmão e como ser humano é difícil de entender, principalmente se amando como amigo. E aí é tanto amor, junto não dá certo. Aí a gente fica sozinho de medo, com medo a gente fica sozinho.E os dois ainda eram pequenos e não há palavras nem nenhum outro parente que um dia vá entender como é perceber que, quando se é pequeno e se descobre um amor maior que a gente, não há como suportar. O medo é mais seguro, ficar sozinho não assusta tanto.
Eles são tão irmãos que, apesar de diferentes, podem ser chamados de gêmeos siamêses.Pouca gente entende ou conheceu,ou presenciou, sentiu as coisas, os pensamentos e os cantos escuros das esquinas que se formam no cruzamento da realidade exterior e a realidade interior. Os lugares por onde essas duas almas passaram.Não é brincadeira, o sujeito destemido é aquele que fica sozinho quando intui tão bem os seres humanos e o mundo que não consegue entender. Não era brinquedo não, a gente sabia abrir os olhos, abrimos demais e isso também dividimos. É difícil conseguir fechar os olhos depois, dormir em paz, quando se viu tanta coisa, queremos ver mais, parece que não faz sentido mas a realidade nua e crua a gente sempre pede mais .
E a realidade, brother, é a seguinte: eu também, sempre, te entendo, não entendia, gêmeo.
domingo, 4 de janeiro de 2009
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