Episódio de hoje:
-O Ônibus-
Antes: tomar o cuidado de separar o dinheiro trocado planejando quantos ônibus vai pegar e/ou descobrir qual bilhete único está carregado,descobrir onde passa o melhor ônibus e cruzar as informações do GuiaMais -versus- SPtrans,itinerários e horários, suspeitar da ameaça capciosa de chuva no caminho do ponto, o ponto de ônibus estar lotado,a chuva tornar a proximidade entre os potenciais passageiros algo obrigatório, o infeliz que acende um cigarro, a chuva que cai enquanto se está no ponto e que atinge à todos de acordo com a vontade do vento, o filho da puta que passa na velô e joga água da sarjeta na sua perna ou na sua cara,o motorista do busão que passa reto, o filho da puta que passa com metade do corpo pra fora da janela e grita alguma coisa pra encher o saco, perceber que você não tem dinheiro trocado ou que esqueceu o bilhete único.
Durante: ônibus vomitado, ônibus com cheiro de vômito, colocar sua mochila em cima ou sentar no vômito, a falta de algum filho da puta que avisasse que era ali que estava o vômito, galera indo pra balada ou voltando de encontro ecumênico se divertindo aos berros, alguém cantarolando alto, algum rádio sintonizado numa estação de música sertaneja (no último volume), janelas fechadas caso esteja chovendo e o calor humano se acumulando, tevê ônibus dando receitas culinárias, ou o horóscopo, ou contando o dia-a-dia de um anônimo gente como a gente, a inconveniência de uma gostosa contra a inadequação de sua calça muito justa e a falta de assentos vagos disponíveis, perfumes pouco agradáveis, baratas que você não vê (as que você vê são as do bem), o ônibus quebrar no meio do caminho,o bilhete único que tem apenas 2,20 de saldo, você ter no bolso apenas uma nota de 50 e outra de 2 e o insuficiente em moedas, conversas que você acaba escutando e não precisava, ônibus muito lotado, ônibus muito lotado e você de mochila, ônibus muito lotado e chuva, ônibus muito lotado e perfumes diversos, ônibus muito lotado e a dificuldade de chegar até a saída e o motorista decidindo interferir no seu livre arbítrio e/ou direito de ir e vir.
Depois: descer obrigatoriamente no ponto seguinte ao que você queria, se deparar com a impossibilidade de andar até o ponto anterior pelo mesmo lado da calçada e ter que atravessar a avenida por causa da burrice/cretinice de quem (não) dedicou 15 minutos para planejar o corredor de ônibus, apertar o botão para poder atravessar a avenida e se deparar com a falta do mesmo, assistir uma senhora gorducha cair no chão estatelada e desconjuntada após ser atropelada por uma moto, na tentativa corajosa de ignorar a possibilidade da existência do botão que faz o sinal fechar e no desespero de não perder o ônibus que vinha vindo lá longe, lotado e vomitado, cheiroso e com um tal motorista senhor do destino.Lamentar ter ouvido o barulho do impacto da moto nos outros carros e no corpo do pedestre.Se deparar com executivos de sapatos e camisas impecáveis, domésticas com cabelo molhado e preso, jovens rapazes de camisetas rosas com apliques e bordados ostentando cabelos espetados de gel, loiras de mini-blusa com a barriga saltando sobre o botão do jeans e tomaras-que caia, senhores de chapéu e suéter de cashmere e bengala, crianças com o uniforme da escola pública e mochilas desproporcionais ao seu tamanho com estampas de personagens, alguém que você ja viu em algum lugar e não lembra aonde usando um sapato bonito- todos no mesmo barco.não se identificar com nenhum deles a ponto de não comentar com ninguém todo o absurdo que é essa merda toda que vocês são obrigados a dividir.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
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