sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Diários do Drao na Bolivia



E ai rapazeada,
resolvi socializar meus diarios de viagens, que eram mandandos esporadicamente em e-mails.
Beijos longos e sedutores,
Drao



Date: Mon, 9 Feb 2009 16:58:45 -0800
From: pedrao_nogueira@yahoo.com.br
Subject: um tanto mais bolivia
To: pedrao_nogueira@yahoo.com.br


Opa,
Ainda em La Paz estou. Ia para a comunidade de Palos Blancos hoje, mas estamos fazendo um esforço por aqui para conseguir financiamento para a rádio comunitária que vamos tentar montar. Dessa forma já chegariamos com alguma estrutura para talvez sair da comunidade com a rádio estruturada e funcionando, o que por enquanto nao passa de utopia.
O Julio já se foi para Santa Cruz, tentar começar o trabalho nas comunidades urbanas e a Ju está em Palos Blancos, mas de ela nao tenho muitas noticias. Também está por lá Matthias, uma alemao bem gente boa.
Sábado fomos em El Alto (uma cidade vizinha de La Paz, que era um bairro mas hoje já tem quase 2 milhoes de habitantes e é incrivelmente mobilizada, fica a 4000m de altura). Lá houve o ato de promulgaçao da Nova Constituicao Politica do Estado Boliviano. Estavam presentes, além das autoridades costumeiras, o presidente da República e estimados em 1 milhao de apoiadores pela Televisao estatal.
Era um impressionante mar de gente, subimos na passalera que cercava a avenida do ato (uma importante avenida que liga as principais saídas de La Paz com o resto do país, totalmente fechada), e víamos rios de pessoas transitando apressadas para ouvir o discurso presidencial. Mineiros dando croques com seus capacetes nos gringos (vulgo, nóis) e rindo muito, dirigentes de centrais sindicais obreras, gente de todo o país, camponeses, trabalhadores informais, bandas militares fazendo marchas, Juntas Vecinales, movimento estudantil, estudantes secundários, cholas, enfim, de tudo havia um pouco e marchavam, e nós, envergonhadamente ao lado.
Chamavamos, todavia, muita atençao da imprensa, e chegamos a dar duas entrevistas, uma para a Rádio Estatal e outra para a Televisao Estatal. O Julio me viu dando entrevista lá de Santa Cruz, fazendo uma análise crítica do governo do Lula (o reporter que perguntou) e elogiando o processo na Bolívia.
Conseguimos ficar bem perto do palco, usei um cartao de visitas que ainda mantenho dos tempos de Le Monde para entrar na área de imprensa. Ficamos sob os olhares um pouco reprovadores dos Ponchos Rojos, logo atrás de nós, uma organizaçao campesina bastante radicalizada. Nao gosto muito de ficar em áreas especiais, principalmente por ser um coadjuvante com c minusculo nesse processo, mas o pessoal foi indo e eu atrás. Foi bom que deu pra observar de perto e ouvir, e o melhor foi que a área de isolamento da imprensa logo foi rompida pelos demais participantes do ato e tudo ficou mais democrático.
O discurso foi bom, Evo leu a sentença de esquartejamento proferida contra Tupaj Katari, lider da revolta indigena que sitiou La Paz por um bom tempo durante 1781, ao lado e em igualdade de forças com sua mulher Bartolina Sisa, que hoje dá nome a uma importante organizaçao campesina feminina. E depois acrescentou "Nao vamos deixar que quatro departamentos, ou quatro governantes, [em referencia a media-luna (Beni, Pando, Tarija e Santa Cruz, estados opositores] esquartejem esta naçao como os quatro cavalos fizeram com o corpo de Tupaj Katari". Neste ponto, ouve uma comoçao maior do publico ouvinte, que impressiona pela passividade e disciplina. Para um brasileiro, é curioso observar como as pessoas ficam quietas na manifestacao, mal aplaudem direito, mal gritam. Menos quando o hino nacional está sendo tocado, que todos param (uma vez em La Paz, a banda comecou a tocar e as pessoas ficaram paradas na rua até o ato terminar, tipo aquele jogo "Vivo ou morto"). O hino, tem um refrao cantado várias vezes durante sua execucao que é "Morrer antes que escravos viver". E o povo leva a cabo essa afirmaçao.
Depois de acabado o ato começou uma chuva forte, fria e cheia de granizo, contrapondo o solzinho agradável que acompanhou a promulgacao. Ficamos molhados e gelados, mas felizmente nenhuma gripe, só a diarreia ad eternum desse país tao lindo e tao despreocupado com a higiene dos alimentos.
Enfim, devo partir para Palos Blancos ainda nesta semana, o que fará com que meus relatos se escasseiem enquanto minhas experiencias, espero, se intensifiquem. Lá nao há internet.
Mal posso ver a hora de sair de La Paz, apesar de isso significar mais despedidas. Quase todos brigadistas já foram as comunidades e muitos nao regressarao a Cochabamba depois. Temos tido brigas homéricas com o porteiro do prédio de escritório em que estamos, que teima em nos deixar trancado durante todo o final de semana, para dentro ou para fora do prédio. Pelo menos aproveitei esse tempo fechado para ler um tanto.
Enfim, saudades sao muitas, sempre penso no Brasil e me pego pensando que nao vejo a hora de voltar e logo me arrependo.
Beijos a todos,
Pedrao





----- Mensagem encaminhada ----
De: Pedro Ribeiro Nogueira
Para: Pedro Ribeiro Nogueira
Enviadas: Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009 18:21:45
Assunto: mais bolivia



Olá,
Estamos há dez dias em La Paz, já estou razoavelmente aclimatado a cidade, menos quando tentei jogar futebol que foi uma experiencia de quase morte, toda vida passando na frente dos olhos, essas coisas. As pessoas das Brigadas já começaram a ir para as comunidades, e muitas nao voltarao ao encontro que teremos em março, entao isso significa algumas longas despedidas, sempre indigestas. Ainda nao consegui definir aonde passarei esse mes, tentando ajudar e desenvolver algum trabalho. As opçoes sao o Chaparre, terra de cocaleros e de onde Evo se projetou politicamente (o problema é que eu ficaria sozinho pela primeira semana pelo menos, o que torna mais dificil a adaptacao), Palos Blancos, uma comunidade rural que quer instalar uma rádio comunitária (nesse caso, ficaria sem internet, o que é tranquilo, mas relatos escasseariam), ou em última instancia, Samaipata, uma pequena cidade com uma comunidade alternativa, mas me parece o menos instigante.
Durante a última semana fizemos diversas oficinas com os brigadistas, onde cada um apresentava um tema e discutiamos (tivemos oficinas de Venezuela, Zapatismo, Educacao Popular e até de táticas em açao direta com um alemao chamado Matthias, muito boa gente).
Também fizemos várias conversas com organizacoes sociais, algumas francamente decepcionantes. Hoje tivemos uma conversa com um doutorando frances, chamado Hervé do Alto (filho de portugueses), que foi extremamente esclarecedor sobre a história política da Bolívia até o momento atual. Ele está no país há 5 anos e acompanha de perto o processo, além de escrever pro Diplomatique frances.
O MAS- IPSP (Movimento ao Socialismo Instrumento Politico para Soberania dos Povos) é uma organizaçao social que é como um partido mas nao é. É composto por uma articulacao de movimentos sociais, organizacoes de sociedade civil, enfim, uma matiz ampla de organizacoes e suas direcoes também sao compostas por membros de movimentos sociais. Ou seja, nao é um partido autonomo as organizacoes, que apresenta um projeto politico próprio e disputa a sociedade com ele. É sim, fruto da correlacao de forcas dos movimentos sociais e como eles se organizam. Isso gera um processo de retroalimentacao entre instituicionalizacao dos movimentos sociais e pressao popular desde abaixo, com efeitos contraditórios por toda parte.Nao tem uma formacao marxista, aponta mais para um nacionalismo radical, alinhado ao antiimperialismo, e a constituicao é a síntese desses processos e pressoes. Pelo menos isso é algo que consegui sistematizar em minha cabeça e o que tenho tempo pra escrever agora.
Acabo de saber que a filha da Luka, a Rosa, nasceu e está bem. Coisa boa, fiquei feliz, sorrindo por aqui por um tempo.
Mando em anexo uma foto num ato em Cochabamba, tirada por uma amiga americana das brigadas.
Por hora é isso,
Beijos e saudades,
Drao
OBS: quem puder responder com novidades da terrinha, responda!




--- Em seg, 2/2/09, Pedro Ribeiro Nogueira escreveu:


--- Em qui, 29/1/09, Pedro Ribeiro Nogueira escreveu:

De: Pedro Ribeiro Nogueira
Assunto: bolivia
Para: pedrao_nogueira@yahoo.com.br
Data: Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009, 23:47


Buenas,
Faz tempo que nao escrevo, acho que a realidade anda mais interessante do que exercer esse exercicio de virtualidade. A última vez que escrevi, estava em Cochabamba, era sexta-feira. Naquela noite fizemos a festa andina intercultural que comecou com uma cerimonia chamada Qowa, pra dar boa sorte aos brigadistas. As pessoas que estao envolvidas nos movimentos sociais aqui sao muito solicitas e gratas com a gente, é bom, mas na verdade eu é que estou grato de fato por estar aqui. A cerimonia foi bonita e depois a festa foi bem interessante. No dia seguinte, sabado, fomos numas piscinas termais que sao administradas pela comunidade de Quillacollo, vizinha a Cochabamba. É algo como turismo comunitário, quando o povo se organiza para nao ser explorado por agencias de turismo e constroem sua propria estrutura que depois tem os fundos revertidos pra comunidade. enfim, acho que nós eramos os únicos gringos por lá. Domingo foi o dia do referendo constitucional, um momento histórico para o povo boliviano. Acordamos cedo e comecamos a andar pela cidade (o transito de qualquer veiculo automotor é proibido durante o referendo e toda a cidade parece uma quermesse democratica). depois conseguimos uma caminhote habilitada a trafegar pela cidade e fomos em vários colégios eleitorais, tanto em lugares mais ricos, como em comunidades mais pobres, foi interessante pra observar o processo como se dá, e fizemos algumas entrevistas com a populacao. É engracado que a mulecada aqui tem o costume de jogar bixiga de agua em todo mundo, indiscriminadamente, nao sei se é porque o carnaval está chegando, mas sei que um monte de gringos numa pick-up foram um prato cheio (nós). Acompanhamos a aprovacao do referendo pela televisao - duas horas depois do fechamento das urnas já havia resultado e o Sim ganhou com 62% a 38%. A nova constituicao boliviana é um elemento complexo na conjuntura política do país. nao é uma constituicao socialista, mantem a propriedade privada e chegou a ser negociada com setores conservadores da sociedade que fizeram a retroceder em vários pontos. ainda assim, representa um vetor importante da articulacao do movimento social, campesino, operario e acima de tudo, originario, da Bolivia. Reconhece todos os idiomas, todas as culturas e religioes do pais (a igreja catolica está estrebuchando pq finalmente o estado vai ser laico, ou seja, fim da doutrinacao catolica fundamentalista na rede pública), apresenta o conceito de resepito a justica comunitaria (longa explicacao), limita o tamanho maximo da propriedade da terra, garante os direitos basicos a populacao, proibe a venda dos recursos naturais da bolivia (privatizacao), enfim, foi um passo importante na luta do povo boliviano, o povo que mais derrubou presidentes no mundo (me escapam os numeros corretos).
saimos a rua para comemorar e logos pegamos uma carona numa caminhonete até a praca central de cochabamba. O motorista fez um desvio e passou na frente da praca da oposicao, o que gerou algum medo, mas tudo o que recebemos foram alguns dedos em riste de senhoras loiras pouco felizes.
Infelizmente choveu muito e fazia frio, nao ficamos na praca tanto quanto queriamos, mas a festa estava boa, estaria melhor se os camponeses estivessem ali, seria sem dúvida muito mais numeroso.
No dia seguinte (segunda-feira), fizemos uma despedida na praca, algumas falas, muitas conversas e entrevistas, depois até escrevi alguns textos. Deixamos a Tinkuna em CCBB, fiquei meio pesado de partir, deixar algumas coisas pra trás.
Felizmente La Paz é incrivel. Chegamos na manha (5h) de terca-feira e dormimos por umas duas horas na rodoviaria até abrir o local que iriamos ficar. Frio do caralho. Enfim, estamos como num gabinete/consultório médico que nao esta funcionando regularmente nem tampouco esta abandonado. durmo confortavelmente onde gosto, perto de uma estante de remédios. La Paz lembra um pouco Sao Paulo, a 3.100m de altura, é recheada de subidas, ladeiras e contradicoes. Estamos numa área central, cercada por montanhas, estas por sua vez cobertas de casas de tijolinho, as vezes precárias. Tem alguns prédios históricos interessantes e muita oferta de artesanato barato. Tem muito gringo por aqui, é como um lugar de passagem de rota turistica.
Tenho que resumir agora pq o prédio fecha as 22.00 ai fudeu. Tivemos converas interessantes com movimentos sociais, amanha vamos conhecer os Yungas, uma comnunidade afroboliviana e voltamos no sabado. Sue esteve aqui por La Paz por dois dias, o que foi bastante esclarecedor, tirei muitas dúvidas, além da ótima companhia. Aqui há muitos atos, todo dia as ruas estao fechadas e o transito é completamente caótico. quase que nem na terrinha. fomos a alguns museus e galerias, tem um artista plastico boliviano chamado Walter Solón que é incrível. Pesquisem!
Enfim,
Beijos
Pedrao - na paz em la paz



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De: Pedro Ribeiro Nogueira pedrao_nogueira@yahoo.com.br





Hola,
(pus pessoas novas nesse mailing, sobre meu cotidiano aqui na bolivia, tem desde o primeiro dia mais abaixo)
Estamos vivendo o cotidiano das Brigadas (o site, com fotos, perfil e textos é interbrigadas.org). Temos aulas, encontros, reunioes, trabalhamos no espaco da tinkuna (eu consertei o chuveiro, queimei a rede elétrica que é uma grande gambiarra e depois consertei), cozinhamos, fazemos de tudo. vamos quase diariamente a praca central, que é onde acontecem os debates.
Ontem teve um ato aqui em Cochabamba, de fechamento da campanha pelo sim a nova constituicao (essa nova constituicao esta polarizando a bolivia. A direita está vindo com muita raiva com o NO, porque de fato essa constituicao tem elementos bastante progressistas, outros mais complicados, mas é um avanco pelo qual estao articulados quase todos movimentos sociais bolivianos, populacoes originarias, etc). O ato teve entre 50mil e 100mil pessoas e o próprio Evo veio discursar. Tenho muitas fotos, vou tentar baixar algum dia e colocar na internet mais fotos. A brigada montou umas faixas bem bonitas e uma banda improvisada de percurssao.... De tanto tocar e andar, minha mao direita esta cheia de bolhas e inchada. Mas foi muito bom. Acho que nunca tinha ido num ato tao grande, apesar das expectativas sobre o tamanho terem sido um pouco frustrada. A convivencia com o povo das brigadas está muito boa, sao boas gentes todos, bons papos. Muito intercambio de consciencia. E sempre que podemos, conversamos com as pessoas daqui, e sempre descobrimos coisas impressionantes. Hoje teremos uma conversa com o movimento estudantil daqui e depois haverá uma festa andina intercultural na Tinkuna, que é onde estamos. A bebida é a Chicha, um preparado alcoolico de milho (nao gostei muito). Amanha será como folga e vamos a umas águas termais. Domingo tem o referendo, deve ser um dia cheio.
Vamos ficar em Cochabamba até segunda'-feira, e ai partimos para uma semana em La Paz. Depois dessa semana em La Paz, vamos nos dividir em grupos e morar em comunidades camponesas, onde trabalharemos e compartilharemos conhecimentos e experiencias com o povo mesmo. Isso durará cerca de um mes, até o comeco de marco, acho (provavelmente sem internet). Depois nos reencontraremos com as Brigadas, fundaremos algo como uma Brigada Nacional (ainda nao entendi bem o que é) e ai eu volto. talvez as brigadas acabem algo como 10 de marco, ainda nao sei.

Enfim, saudades.

Beijos,
Drón





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De: Pedro Ribeiro Nogueira
Para: João Paulo Nogueira ; Fernando ; beatrizfaribeiro@hotmail.com; marcosnogs@hotmail.com; pedrochiavone@hotmail.com
Enviadas: Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 23:48:32
Assunto: Res: Res: Res: Res: cheguei


Immaynala gente (olá, em quechua),

Nao tenho muito tempo agora, mas quero relatar algumas coisas. Fomos no jogo de futebol, que foi muito interessante. O estadio comportava 35.000 mil pessoas, ou seja, um terco de potosi e estava cheio. Haviam cachorros. O estadio é como um espaco publico de convivencia pacifica, com criancas, velhas, mulheres e alguns homens. Até o policial usava um radinho e alguns cachorros circulavam livres e felizes pelas arquibancadas.
Estou escrevendo a mao alguns esbocos sobre essa relacao do futebol aqui comparado ao Brasil.
Comecamos ontem as brigadas. A galera parece ser bem legal, tem uma brasileira, tres franceses, 4 alemaes, uma americana e alguns bolivianos. Estamos num alojamento comunitario que chama Red Tinku, que realiza varios trabalhos bem bacanas com a comunidade.
Aqui em Cochabamba, vimos uma das coisas mais impressionantes da nossa viagem. A praça central é como uma ágora, um grande fórum de debate público e político sobre os temas do país. Milhares de pessoas passam e param durante o dia para debater os grandes temas, e como o referendo se aproxima, os debates sao cada vez maiores e mais acalorados. Tudo isso comecou em 2000, quando a cidade ficou sitiada pela populacao, enfurecida com a privatizacao da agua. A praca era o centro da mobilizacao.
Impressiona a clareza e consciencia politica do povo boliviano. Nao é raro, no meio de uma discussao, um velhinho insuspeito usar argumentos como `` mas isso sao consignias da direita´´, ou uma chola passar gritando ``ele se vendeu ao fascismo´´.
Enfim, dava um documentario só essa praça.
Quinta participaremos de um ato massivo, talvez com mais de 200mil pessoas. Sim, Evo vem a CCBB. Estamos preparando cartazes e ensaiando uma bateria improvisada. Também temos pelas manhas aulas de quechua basico e a tarde de historia boliviana. Temos muito o que fazer o tempo inteiro, mas é o tipo de coisa que nao cansa.
Em breve teremos um site com fotos e textos, ai eu passo pra voces.
Vou ficando por aqui agora, pq nao tenho muito mais tempo.
Em anexo vai o resumo dos e'mails que mandei até agora, mas é mais uma cópia pra mim.
Beijos
Drao.





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De: Pedro Ribeiro Nogueira
Para: João Paulo Nogueira ; Fernando ; beatrizfaribeiro@hotmail.com; marcosnogs@hotmail.com; pedrochiavone@hotmail.com
Enviadas: Domingo, 18 de Janeiro de 2009 13:59:56
Assunto: Re: Res: Res: Res: cheguei

Oi gente,
Estamos passando nosso último dia de férias aqui em potosi. daqui a algumas horas vamos para cochabamba comecar o projeto. Antes vamos assistir o classico entre Real Potosi e Nacional de Potosi. Os dias aqui em potosi foram muito bons. No primeiro dia, tomamos um vinho a noite e no dia seguinte eu acordei meio mal e o julio completamente estragado. Fizemos alguns poucos roles pra nao forcar a barra. O incrìvel è que ficamos num hotel muito legal, de estilo albergue. Deu pra conhecer muita gente boa e engracada, a maioria argentinos, que saimos para fazer baladas regadas a Cumbìa e Reggaeton. Tambem conhecemos alguns chilenos malucos, frances, alemaes, ingleses e alguns brasileiros (uns muito antipaticos, por sinal). É triste conhecer gente legal e logo partir pra nunca mais, mas sempre deixamos promessas de futuras viagens. tinha esquecido como é bom mochilar, todos sao sempre muito abertos a conversar e conhecer. Teve conversas em que eu estava falando em portugues, espanhol e ingles ao mesmo tempo, com as devidas confusoes. Alias, meu espanhol tem melhorado muito.

Potosí tem a montanha de Cerro Rico, fonte de prata e outros minerios, explorada a mais de 450 anos. Ontem vimos um filme, The Devil´s miner, producao boliviana, filmado em potosi, sobre uma crianca mineira. É uma situacao insustentavel. Para se ter uma ideia, estimam'se que mais de 8 milhoes de pessoas tenham morrido nas minas. E tem varios passeios turisticos para dentro dela, o que resolvemos nao fazer pq achamos que usar um trabalho tao sofrido como zoologico seria insensivel. Mas fomos ateh a porta das minas, fica a uns 4.900 metros, e faz um frio do caralho. Chegou a nevar de leve, misturado com granizo enquanto estavamos lah. Nao fazia ideia do tamanho desse cemiterio vertical.

Já estamos bem acostumados com a altitude, só as subidas que exigem um pouco mais de nós.
Enfim, isso é tudo que lembro agora.
Cuidem-se por ai que eu me cuido por aqui.
Beijos
Drao
--- Em qui, 15/1/09, Pedro Ribeiro Nogueira escreveu:

De: Pedro Ribeiro Nogueira
Assunto: Res: Res: Res: cheguei
Para: "João Paulo Nogueira" , "Fernando" , beatrizfaribeiro@hotmail.com, marcosnogs@hotmail.com
Data: Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009, 22:22


hola,
saimos de sta cruz e chegamos em sucre quarta de manha. apesar das poucas horas de luz nas 14 horas de viagem, conseguimos ver uma das estradas mais impressionantes q jah passei por, talvez mais bonitas que as icefield parkways. elas ladeavam montanhas, era ate um pouco assustador, pois qualquer vacilo do motorista eh um mergulho pra nunca mais. mas foi de boa. chegamos em sucre, qu é muito bonita. uma cidade a 2.500 de altura, onde todas casas sao branquinhas e coloniais. ficamos num hotel por 25 bolivianos, em frente ao mercado central, de estilo colonial, espacoso e com uma varandinha. parecia um paraiso. mas era o inferno das pulgas. passamos o dia em sucre, conhecendo lugares,o mercado tem um queijo de cabra otimo mas um tanto pesado. meu espanhol esta melhorando gradualmente e me viro tranquilamente com o que sei. hoje de manha, depois de um pulguenta noite, viemos paraPotosi, a cidade mais alta do mundo e a mais pobre da bolivia. Acabamos de comer carne de lhama, com sopa de quinua e cha de coca. a estrada para aqui tambem era bem bonita. aqui as terras sao mais densamente povoadas, se comparado ao deserto verde de sta cruz. Aqui nesse blog http://noscaminhosdoqollasuyu.blogspot.com/2008/09/potos.html tem informacoes boas sobre potosi, que fica a 4.100 metros de altura e a cidade mais pobre da bolivia (eh como ouro preto, houve um grande saque colonial aqui e hoje sobraram as sombras, as minas e uma populacao pauperrima).
queria escrever mais mas esse computador tà uma genuina merda de lhama.
espero q todos estejam bem. a viagem tem sido fantastica.
abrazos de oso,
el pedron




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De: Pedro Ribeiro Nogueira
Para: João Paulo Nogueira ; Fernando ; beatrizfaribeiro@hotmail.com; marcosnogs@hotmail.com
Enviadas: Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009 14:16:43
Assunto: Res: Res: cheguei


oi povo,
ainda estamos em sta cruz. agora estamos fazendo hora numa lanhouse ate chegar o horario do busao pra sucre, que eh a 4, e eh a capital legislativa do pais. desde o e-mail de ontem nao fizemos muita coisa. tomamos uma cerveja ontem, com as amigas do fe. ai dormimos razoavelmente cedo e fomos na rodoviaria comprar passagens e depois num parque bem miado, encontramos uns brasileiros conhecidos do busao que foi ateh corumba, caras engracados. comemos num restaurante de comida brasileira, saimos do hotel ^el turista^.
agora estamos esperando.
mando noticias novamente assim que puder.
beijos a todos.
pedrao
obs: mae e aquelas perguntas que eu te fiz no outro email sobre a camera?




oi gente,
pus o e'mail do fernado e do marcos aqui, dessa forma mando a todos noticias de uma so vez.
agora estamos em santa cruz de la sierra. sobrevivemos a viagem de busáo, apesar das dificuldades. ele parou apenas 3 vezes, duas no meio do nada apenas para fazer xixi. essa viagem foi no meio do ermo, náo tinha nada sò uma lua enorme. na parada em san jose, na metade do caminho, subiu gente no onibus e viajaram cerca de 7 horas em pè. nessa mnesma parada tinha uma briga de galo cabulosa. fiquei com uma dor nas costas raramente sentida antes, mas chegamos num hotelzinho bacana. no onibus de ida atè puerto quijarro e depois ate santa cruz, tinham tres meninas brasileiras a caminho de machu pichu, que descobri que eram amigas do fe do cursinho. chamavam mica, ana e mari, acho. quando falei que era irmao do xero, vi que o sujeito è popular ate internacionalmente.
a mochila que comprei rasgou no caminho, parei num costureiro pra consertar e jà comecamos a discutir politica. aqui em santa cruz è a capital da oposicao fascista ao governo boliviano, mas mesmo assim o cara era muito firmeza. falava dos que se vendiam aos oposicionistas ´´es triste, pero es verdad¨dizia. tambem conheci ontem no busao um boliviano que mora no brasil faz 25 anos, ja marquei um futebolzinho com ele quando voltarmos. aqui se respira politica, è outra relacao comunitaria com o espaco, algo que se perdeu bastante no brasil.
o teclado è diferente, desconsiderem os errinhos hehhee
enfim, estamos bem. vamos passar um dia aqui e amanha de manha devemos ir atè sucre, que e a capital legislativa do pais.
fiquem bem.
Beijos
Pedron







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Date: Sun, 11 Jan 2009 07:46:44 -0800
From: pedrao_nogueira@yahoo.com.br
Subject: cheguei
To: joaopaulo1954@hotmail.com; beatrizfaribeiro@hotmail.com


oi pai e mae,
tentei ligar pra vcs e náo consegui, esqueci o telefone do papai, a proposito.
Cheguei hoje de manha em puerto quijarro, logo na fronteira com o Brasil. O onibus nos trouxe atè aqui. è um calor dos infernos... voce estava certo jota.
tentamos comprar a passagem pro trem da morte, mas tinha acabado atè quarta, entáo vamos pegar um onibus sem banheiro nem ar condicionado e numa estrada de terra ate santa cruz, da umas quinze horas, devo chegar là amanha de manha. depois ainda vamos decidir qual sera o proximo passo, como passaremos os dias ate o dezoito , quando iremos encontrar as brigadas.
conhecemos algumas pessoas legais, que nos deram dicas, ajuda e alguma companhia.
agora vamos almocar, tomar um banho e esperar o onibus.
e bem diferente estar aqui, so de cruzar a fronteira jà e outra coisa. temos a sensacao de estarmos sendo frequentemente enganados, mas muitas vezes è so sensacao.
enfim, estou animado.
vou mandando noticias conforme a coisa progride.
Beijos
Pedron

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